8 curiosidades sobre Rubem Fonseca

Hoje falaremos de um dos maiores contistas brasileiros, conhecido por livros como “Feliz Ano Novo” e “Agosto”.

José Rubem Fonseca nasceu em 11/5/1925, em Juiz de Fora (MG). Mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha oito anos. Na mesma cidade, em 1952, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Universidade do Brasil (atualmente Universidade do Rio de Janeiro).

Fonseca ingressou na polícia como comissário do Distrito Policial de São Cristóvão, onde passou a testemunhar o submundo do crime e tipos de pessoas que serviram de inspiração para as suas obras. Trabalhou primeiramente nas ruas e depois passou a executar funções administrativas.

Na Escola de Polícia, destacou-se por estudos em Psicologia. Em 1953, foi para os EUA fazer um curso em segurança pública e também aproveitou para cursar Administração de Empresas em New York University, em NY. De volta ao Brasil, passou a lecionar na Fundação Getúlio Vargas.

Exonerado da polícia em 1958, chegou a ser executivo na Light, empresa de distribuição de energia no Estado do RJ. Nessa, época, exerceu a sua veia de escritor trabalhando como argumentista e roteirista de filmes paralelamente.

Estreou na literatura em 1963 com a coletânea de contos “Os prisioneiros”, na qual já retratava a violência nas cidades. Gostou tanto da experiência que passou a publicar com certa regularidade.

Alguns de seus livros mais famosos são: “Lúcia McCartney” (1973), “Feliz Ano Novo” (1975), “O cobrador” (1979) e Agosto (1990).

O autor faz parte da “literatura brutalista”, conforme cunhado pelo crítico e historiador literário brasileiro Alfredo Bosi (1936-2021) no livro “O conto brasileiro contemporâneo”.

As obras de Rubem Fonseca costumam retratar personagens marginalizados, violentos, sensuais e solitários, com casos geralmente inspirados em fatos reais, especialmente do tempo em que ele atuou na polícia.

Na verdade as histórias de modo geral mostram um universo de violência gerado pela exclusão e desigualdade social.

Com presença da oralidade, os textos carregam uma linguagem direta, sem pudores, nem medo de explorar as facetas mais sombrias da natureza humana. É comum que o autor percorra o psicológico dos personagens e mesmo personagens não criminosos, como investigadores, sejam anti-heróis.

Por seu trabalho literário, Fonseca já ganhou o os prêmios Camões e Jabuti.

O autor foi casado com Théa Maud e teve três filhos. Ele nos deixou em 15 de abril de 2020, vítima de um infarto, no Rio de Janeiro (RJ).

Livros publicados por Rubem Fonseca

Romances

O caso Morel (1973).

A grande arte (1983).

Bufo & Spallanzani (1986).

Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (1988).

Agosto (1990).

O selvagem da ópera (1994).

E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto (1997).

O doente Molière (2000).

Diário de um fescenino (2003).

Mandrake, a Bíblia e a bengala (2005).

O seminarista (2009).

José (2011).

Livros de contos

Os prisioneiros (1963).

A coleira do cão (1965).

Lúcia McCartney (1969).

O homem de fevereiro ou março (1973).

Feliz Ano Novo (1975).

O cobrador (1979).

Romance negro e outras histórias (1992).

O buraco na parede (1995).

Histórias de amor (1997).

A confraria dos Espadas (1998).

Secreções, excreções e desatinos (2001).

Pequenas criaturas (2002).

64 contos de Rubem Fonseca (2004).

Ela e outras mulheres (2006).

Axilas e outras histórias indecorosas (2011).

Amálgama (2013).

Histórias curtas (2015).

Calibre 22 (2017).

Carne crua (2018).

Crônica

O romance morreu (2007).

Leia agora 8 curiosidades sobre Rubem Fonseca

1 – Nos anos 1960 e 70, Fonseca foi diretor do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), órgão conhecido como sistematizador da base ideológica para o Golpe Militar de 1964. Por isso, ele foi apontado como apoiador da ditadura, o que o autor negou em entrevistas e até em um artigo na Folha de S. Paulo, em 1994.

2 – O autor sofreu com Censura. A coletânea “Feliz Ano Novo” foi vetada pelo governo militar em 1976, por ser considerada contrária à moral e bons costumes. A obra só foi liberada em 1989, após várias batalhas judiciais.

3 – Fonseca ganhou o badalado Prêmio Jabuti por seis vezes. As obras premiadas foram: “Lucia McCartney” (Jabuti 1969), “A Grande Arte”(1983), “O Buraco na Parede” (1996), “Secreções”(2002), “Excreções e Desatinos”(2003), “Pequenas Criaturas e Amálgama”(2014).

4 – Detetives, advogados e outras figuras investigadores marcam presença em suas obras. O cínico advogado Mandrake, por exemplo, aparece em obras como “A Grande Arte” (1983″ e, por meio de seu filho cineasta, José Henrique Fonseca, se tornou série em 2005 pela HBO.

5 – O autor também era roteirista de cinema e chegou a receber prêmios como o Coruja de Ouro pelo roteiro de “Relatório de um homem casado” (dir. Flávio Tambelini), o Kikito de Ouro, no Festival de Gramado, por “Stelinha” (dir. Miguel Faria) e o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), pelo roteiro na adaptação cinematográfica de “A grande arte”.

6 – Fonseca costumava ser avesso à fama, à eventos e a atitudes de celebridades. Preferia viver de forma retraída, sem assédio de fãs ou imprensa. Mas pessoas próprias de seu convívio dizem que ele era uma pessoa geralmente com bom humor.

7 – Em 2003, o autor chegou a receber, no México, o famoso Prêmio Juan Rulfo, entregue por ninguém mais, ninguém menos do que Gabriel García Márquez.

8 – Em 2015, na ocasião em que recebeu o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (ABL), Rubem Fonseca comentou sobre seu estilo: “Eu escrevi 30 livros. Todos cheios de palavras obscenas. Nós, escritores, não podemos discriminar as palavras. Não tem sentido um escritor dizer: ‘Eu não posso usar isso’.

Já leu algum livro dele? Recomenda?

Fontes: Ombrelo, eBiografia, El País, O Globo, Infoescola, Português, Zona Curva

Fotos: Zeca Fonseca/Divulgação

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